Written by: Feminismo Raiz

Por que muitas mulheres rejeitam o feminismo emancipador?

O que leva mulheres a não estarem do seu próprio lado?

Se há algo que integra o senso comum e que muitos creem ser lógico em relação às classes oprimidas, é a máxima proferida pela escritora Maya Angelou: “Eu fui uma mulher há muito tempo. Seria estúpido não estar no meu próprio lado.”. Contudo, a História e a experiência nos exibem que inúmeras mulheres não estão em prol de si mesmas, e por que isso ocorre? No passado, havia teorias que sustentavam a hipótese de um suposto masoquismo feminino, alegando que mulheres possuíam propensão a desejar o sofrimento e a submissão, sujeitando-se assim aos seus agressores e àqueles que lhe desejavam o mal enquanto tentativa de obtenção de prazer ou de alguma satisfação abstrata.

Tais teorias superficiais e perceptivelmente misóginas, não se atentaram ao cerne da psicologia feminina, que segundo a autora Dee L. R. Graham poder-se-ia intitular “psicologia da oprimida”, pois a classe feminina possui modulações psicológicas que em inúmeros pontos assemelham-se àquelas desenvolvidas por cativos e outras classes oprimidas, como os negros no contexto norte-americano. Neste cenário, a rejeição à rebelião dá-se através da percepção de incapacidade da fuga. Desse modo, ao perceber inconscientemente que se é impossível escapar da violência masculina de modo perene, mulheres desenvolvem habilidades de convivência com a classe sexual oposta na tentativa de não se tornarem alvo de suas agressões e sobreviverem à constante violência psicológica através das distorções cognitivas.

Dentre os diversos mecanismos de sobrevivência os quais mulheres desenvolvem, um dos mais classificadores é a negação da opressão masculina. Afinal, somente desassociando os homens de seu círculo do terror da experiência feminina, a convivência permanece suportável e os pensamentos desagradáveis atrelados à revolta por sua condição subalterna são suprimidos. Deste modo, quando analisados de forma sistêmica, a rejeição e o ódio ao feminismo emancipador assim como às feministas que buscam a emancipação, passa a produzir sentido. Pois, a existência de mulheres que desejam contrariar os desígnios da classe sexual dominante, produz um sentimento de maior insegurança nas demais, que passam a temer inconscientemente a represália dos mais poderosos. Não coincidentemente muitas mulheres, independente de seu espectro político, acabam por se tornarem “guardiãs dos homens”.

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Tags:, , Last modified: 10 de junho de 2022