Written by: Feminismo Raiz

Como o ódio às feministas de raiz afeta mulheres (e gera lucro)

Como dizia Simone de Beauvoir, “o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”.

Ao longo dos anos, mulheres feministas de raiz permanecem a ser hostilizadas em inúmeros países. Dentre os tais, nações europeias como França e UK e nações africanas e latino-americanas como Angola, Argentina e Brasil. Entretanto, todos os países citados possuem fatores específicos os quais convergem naquilo que intitulamos “perseguição feminina” ou misoginia. Cita-se o repúdio aos espaços femininos exclusivos, a demonização de aspectos cruciais e relacionados à condição feminina: direitos reprodutivos e sexuais. E, sobretudo, a descaracterização de movimentos revolucionários que outrora pautavam bravamente os direitos femininos enquanto direitos de classe. 

Não obstante, o Brasil, sendo um dos países com maiores índices de violência contra à mulher, mantém alianças específicas as quais visam minar e silenciar o ativismo em prol das mulheres. Uma questão paira no ar: como um país tão conservador e misógino tem conseguido aprovar pautas LGBT+ cruciais, mas sequer consegue manter um plebiscito lúcido a respeito do aborto ou questões relativas a ratificação do direito à laqueadura ou contra a Lei da Alienação Parental? Se estamos a vivenciar um suposto progresso feminista, onde estão os frutos desta seara? 

Como dizia Simone de Beauvoir, “o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”. Afinal, pautar feministas de raiz enquanto inimigas das classes subalternizadas, ignorantes, retrógradas ou desonestas, serve à um discurso que em muito gera lucro individual e coletivo a determinados indivíduos. Os discursos de ódio que sobre nós são difundidos, fomentam agressões de ordem verbal, moral, sexual e física. Incontáveis feministas de raiz sofrem inúmeros tipos de sanções sociais em decorrência de sua vertente política. Enquanto alguns (e algumas) lucram com a desinformação e o discurso de ódio sobre este ativismo, mulheres estão a ser caçadas e a ter os seus relés direitos sob ataque.

Ademais, o número de mulheres racializadas e produtoras de teoria e ação social feminista de raiz está a crescer esponencialmente. Deste modo, quando paira sobre nós uma névoa de inverdades inspiradas por desejos financeiros e midiáticos, nossas vidas já minadas pelo racismo e afromisoginia tornam-se mais fragilizadas. O ódio contra mulheres jamais será uma bandeira. A misoginia, o oportunismo e a desinformação… MATAM!  

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Tags:, , , Last modified: 1 de agosto de 2021