Written by: Feminismo Material

“TODOS QUEREM UM BRASILEIRO F#DA QUENTE”: TURISMO S#XUAL E PODER COLONIAL

Nos últimos anos, o Brasil tem retomado o seu posto como um dos destinos turísticos mais visados pelo público norte-americano e europeu. Reacendendo o antigo fascínio estrangeiro pelas terras brasileiras a partir da promessa de um destino onde as pessoas são mais amigáveis, há dança e comemoração durante todo o ano, praias ensolaradas e… brasileiros sexualmente disponíveis, o país entrou na rota de um turismo sexual ainda pouco abordado: o feminino. 

Para além de todas as problemáticas trazidas pelo avanço turístico, como a gentrificação, o aumento do custo de vida para locais e a descaracterização de regiões importantes para a flora e fauna nacional, como ilhas e arquipélagos, os antigos estereótipos coloniais sobre os corpos sul americanos reforçam ações violentas, misóginas e racistas direcionadas aos locais. 

Desde 2022, inúmeras discussões surgiram em torno dos passport bros — homens em geral norte-americanos ou europeus que viajam para países em desenvolvimento na inteção de aproveitar-se da vulnerabilidade social das meninas e mulheres locais, tanto para atos sexuais como na aquisição de um casamento por interesse migratório. 

Entretanto, ao contrário do que muitos pensam, tal prática não é executada apenas por homens, mas também por mulheres do norte global. A prática do turismo sexual feminino ganhou holofotes na década de 1990, quando a ação de mulheres britânicas, que viajavam para o Gâmbia (país africano), na intenção de explorar sexualmente homens negros pobres, passou a ser conhecida internacionalmente. 

A investida se tornou tão normalizada ao ponto do país ter recebido o título de “bordel para mulheres brancas”, fortalecendo uma prática predatória e fundamentada não apenas em estereótipos raciais, como também na exploração da pobreza e da vulnerabilidade socioeconômica. 

Lentamente, o mesmo tem começado a ocorrer no Brasil. Contudo, para além dos passport bros, mulheres do norte global têm vindo ao país com a promessa de que brasileiros, especialmente negros, podem entregar “sexo selvagem e animalesco”. Tais conteúdos têm se tornado populares na rede social de vídeos curtos, aprofundando mais uma vez o ideal colonial de corpos negros sempre à serviço dos desejos sexuais de pessoas brancas, especialmente com a vulnerabilidade social como pano de fundo.

Como aprendemos a partir dos escritos de Lélia Gonzalez e Frantz Fanon, a execução do poder colonial está além do poder masculino, sendo socializado, ainda que em menor grau, com todos aqueles que gozam de privilégios advindos da colonização, da exploração racial e também das vulnerabilidades vividas por pessoas marginalizadas. Especialmente no contexto Norte-Sul global. 

O turismo sexual não se torna menos nocivo quando executado por pessoas do sexo feminino, porque as dimensões da exploração sexual extrapolam a divisão de gênero e se mesclam também às desigualdades raciais, econômicas e nacionais fundamentadas na exploração do Sul Global por aqueles que ainda gozam de privilégios para nós inimagináveis. 

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Tags:, , , Last modified: 31 de março de 2026